Google Ads IA: Quem Responde Quando o Sistema Erra?

Por Nêmora Schuh · Agência Mest · 10/07/2026

Os novos Termos de Serviço do Google Ads, em vigor desde 1º de julho de 2026, respondem a uma pergunta que todo anunciante que usa IA na conta deveria estar se fazendo: quem paga a conta quando a automação da plataforma erra? A resposta é direta. O anunciante, não o Google (Google Ads Help, 2026).

Se você roda campanhas com Performance Max ou usa o AI Max sem revisar o que a inteligência artificial está gerando, este artigo é para você. E se você faz marketing político, a atenção precisa ser redobrada: erro de automação em campanha eleitoral não é só prejuízo de verba, é risco jurídico.


O que você precisa saber agora

  • Os novos Termos de Serviço do Google Ads entraram em vigor em 1º de julho de 2026
  • Quem responde por revisar, aprovar ou remover campanhas e ativos gerados por IA é o anunciante, não o Google (Google Ads Help)
  • O Performance Max já escolhe canais, gera criativos e ajusta lances com pouca supervisão manual por padrão
  • O AI Max vem com “Expansão de URL Final” ativada por padrão, redirecionando cliques para outras páginas do seu domínio
  • Em campanha política, a Resolução TSE 23.755/2026 exige rotulagem de conteúdo sintético e proíbe deepfakes de candidatos

O que mudou nos Termos de Serviço do Google Ads em julho de 2026?

Desde 1º de julho de 2026, o Google Ads opera sob termos de serviço atualizados que, segundo a cobertura do setor de PPC e marketing digital, representam a mudança mais relevante desde 2018. O novo texto detalha como informações trocadas em recursos de conversa dentro da própria plataforma, somadas ao conteúdo das páginas de destino que você autoriza o Google Ads a acessar, passam a alimentar diretamente a geração automática de campanhas, textos e ativos publicitários. O anunciante autoriza esse uso ao continuar usando a conta.

A atualização formaliza algo que já vinha acontecendo nos bastidores da plataforma há anos: cada vez mais decisões de campanha saem das mãos do anunciante e vão para algoritmos de machine learning. A diferença é que agora isso está escrito, junto com a definição de quem responde se der errado. Ignorar essa atualização por achar que “é só letra miúda” é o tipo de decisão que custa caro quando uma campanha automática foge do controle.


Quem é responsável quando a IA erra?

A responsabilidade recai sobre o anunciante. Os Termos de Serviço atualizados do Google Ads são explícitos sobre isso, segundo a própria central de ajuda da plataforma. A automação facilita o trabalho, só que a responsabilidade legal e financeira de quem está gastando o orçamento continua no anunciante, não migra para o algoritmo.

“[Este termo] reforça sua responsabilidade de revisar, aprovar ou remover todas as campanhas e ativos publicitários gerados automaticamente pelas funcionalidades do Google Ads.” Fonte: Google Ads Help, 2026

Essa frase muda a forma como qualquer anunciante deveria encarar recursos como o Performance Max e o AI Max. A IA pode sugerir, gerar e otimizar. Mas a decisão final de deixar aquele criativo no ar, ou de derrubá-lo, continua sendo humana e continua sendo sua.


IA do Google Ads erra, quem paga?

Quem paga é o anunciante, tanto em termos financeiros quanto em relação a penalidades da própria plataforma. Quando surgem disputas envolvendo anúncios gerados automaticamente, os termos indicam que o Google pode tratar reclamações parecidas por meio de arbitragem em lote, agrupando casos semelhantes em vez de analisar cada um isoladamente. Isso reforça a lógica dos novos termos: cabe a você revisar antes que o problema vire disputa, e antes que o orçamento de tráfego pago planejado para o mês seja consumido por uma campanha fora de controle.


Performance Max (Pmax): o que a IA já decide sozinha na sua conta

O Performance Max, apelidado de “Pmax” pelo mercado brasileiro de tráfego pago, já reúne numa única campanha acesso aos 6 canais do inventário do Google Ads: YouTube, Display, Search, Discover, Gmail e Maps (Google Ads Help, 2026). A IA decide sozinha onde veicular cada anúncio.

Além da escolha automática de canal, o Pmax gera criativos de texto e vídeo sem que o anunciante escreva uma única linha, se assim configurar a campanha. Os lances são ajustados por Smart Bidding, o sistema de lance automatizado do Google, com base em sinais de conversão em tempo real. A definição de público também é automática, o que muda a lógica de quem está acostumado a montar segmentação de público manualmente.

Na gestão de contas que acompanhamos, é comum ver o Pmax substituir um headline aprovado por um texto gerado automaticamente da noite para o dia. Se ninguém revisa o painel de “Ativos” com regularidade, o anunciante só percebe a mudança quando o custo por resultado sobe, ou quando alguém reclama do anúncio publicamente.

Resumindo: o Pmax entrega escala e alcance, mas troca controle manual por eficiência algorítmica. Operar essa troca sem revisão humana periódica é que vira risco, principalmente em nichos sensíveis, como o político.


AI Max: como identificar e desativar Ativos Criados Automaticamente e Expansão de URL Final?

O recurso antes chamado “Ativos Criados Automaticamente” foi renomeado para “Text customization” e passou a integrar o conjunto de funcionalidades do AI Max (Google Ads Help, 2026). Ele gera headlines e descrições automaticamente a partir do conteúdo da sua URL final, sem intervenção do anunciante.

Dentro do mesmo pacote AI Max existe a “Expansão de URL Final” (Google Ads Help, 2026). Ela direciona o clique do usuário para outra URL do mesmo domínio quando o Google avalia que essa outra página vai performar melhor. Esse recurso vem ativado por padrão, o que significa que muitos anunciantes estão usando sem saber.

Localizar e desativar esses dois recursos exige alguns passos dentro do gerenciador de campanhas. O caminho é o mesmo para os dois: menu de Configurações, dentro da campanha específica.

RecursoO que fazCaminho para desativar
Text customization (ex-Ativos Criados Automaticamente)Gera headlines e descrições via IA a partir da URL finalCampanhas > Configurações > selecionar campanha(s) > Editar configurações > desativar “Text customization” > Aplicar
Expansão de URL FinalRedireciona cliques para outras páginas do mesmo domínioCampanhas > Configurações > selecionar campanha(s) > Editar configurações > definir “Expansão de URL Final” como desativada > Salvar
Criativos automáticos do PmaxGera variações de texto e vídeo sem aprovação préviaDentro da campanha > aba Ativos > revisar e pausar ativos gerados automaticamente

Um detalhe que costuma pegar quem administra conta sozinho: ao desativar o “Text customization”, os ativos que já estavam sendo veiculados param de rodar imediatamente. Se algum deles estava performando bem, você perde esse resultado junto com o controle recuperado. Vale revisar o relatório de ativos antes de desligar qualquer coisa.


O que isso muda pra quem faz marketing político

Em campanha eleitoral, aprovar manualmente cada criativo gerado por IA deixou de ser boa prática e virou exigência legal. A Resolução TSE nº 23.755/2026, de 2 de março de 2026, exige rotulagem explícita de conteúdo sintético e proíbe deepfakes de candidatos entre 72 horas antes e 24 horas depois do pleito (TSE, Resolução 23.755/2026, 2026).

As regras de rotulagem variam conforme o formato da peça: áudio, imagem, vídeo e material impresso têm exigências específicas de identificação como conteúdo sintético (TSE, comunicado sobre uso de IA nas eleições 2026, 2026). A resolução também veda deepfakes de conteúdo sexual ou de nudez, proíbe perfis falsos e automatizados, e barra sistemas de IA que ranqueiem ou recomendem candidatos.

A imprensa jurídica especializada, como o Migalhas, tem noticiado valores de multa associados ao descumprimento dessas regras. Como não localizamos esses valores de forma literal no texto da resolução consultada para este artigo, trate-os como estimativa reportada pela imprensa, não como citação direta da norma. O que é certo, e vem do próprio TSE, é a existência da proibição e da exigência de rotulagem.

No direito eleitoral brasileiro prevalece um princípio simples: quem se beneficia da propaganda responde por ela, mesmo quando a peça foi produzida por terceiros ou por uma ferramenta automatizada. É esse princípio, e não uma cláusula isolada sobre IA, que sustenta o argumento central deste artigo. Se o Pmax ou o AI Max gerar um criativo problemático numa campanha política sem revisão humana, quem responde não é o Google. É o candidato, o comitê financeiro e quem assina a campanha.

Como advogada formada pela UFSM e associada da CAMP (Câmara dos Profissionais de Marketing Político), tenho acompanhado de perto como essa combinação entre automação de IA e legislação eleitoral pega assessorias despreparadas. Já escrevi sobre o calendário eleitoral e as regras do TSE para 2026 para quem quer entender melhor esse cruzamento antes que ele vire problema em campanha.


Perguntas frequentes:

O Google Ads aceitou os novos termos automaticamente pra mim?

Sim, se você continuou usando a plataforma após 1º de julho de 2026. Como a maioria dos serviços online, o Google Ads considera o uso continuado como aceite dos termos atualizados. Não existe um botão separado de “aceitar”: a aceitação acontece pelo simples fato de você seguir veiculando campanhas na conta.

Posso desativar toda a automação de IA no Google Ads?

Não totalmente. Você pode desativar recursos específicos, como “Text customization” e “Expansão de URL Final”, pelo menu Campanhas > Configurações. Mas funcionalidades centrais do Performance Max, como Smart Bidding e a seleção automática de canal, fazem parte da estrutura da campanha e não têm opção de desligamento completo.

Quem paga se um anúncio gerado por IA violar política da plataforma?

O anunciante. Os termos atualizados do Google Ads reforçam que cabe a você revisar, aprovar ou remover campanhas e ativos gerados automaticamente (Google Ads Help, 2026). Se um criativo automático violar alguma política, a conta que sofre a penalidade é a sua, não a do Google.

Isso muda alguma coisa pra quem já usa Performance Max?

Muda a postura, não a ferramenta. O Pmax continua funcionando como antes, mas os termos deixam mais explícita a responsabilidade do anunciante por revisar ativos e campanhas geradas automaticamente. Quem já revisava o painel de “Ativos” com frequência não muda quase nada na prática. Quem não revisava, deveria começar agora.

Se sua agência ou assessoria roda campanhas com Performance Max ou AI Max e ninguém revisa o que a IA está gerando, esse é o momento de rever o processo, principalmente se você atua com marketing político. Fale com a equipe da Agência Mest.


Sobre a autora

Nêmora Schuh é Top 2 Gestora de Tráfego do Brasil em 2024, vencedora do Prêmio CAMP 2025 (o “Oscar do Marketing Político Brasileiro”), graduada em Direito pela UFSM e Subido Master. Associada da CAMP (Câmara dos Profissionais de Marketing Político) e fundadora da Agência Mest e do Instituto do Livre Mercado. Acompanha de perto como a automação por IA e a legislação eleitoral se cruzam nas contas de tráfego pago que gerencia.

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